45° CBAC recebe o jornalista Caco Barcellos para palestra Magna

Foi de maneira descontraída e bem-humorada que o jornalista Caco Barcellos apresentou a palestra Magna do 45° Congresso Brasileiro de Análises Clínicas nesta terça, dia 19, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro.

Apresentador do programa Profissão Repórter, da TV Globo, Caco é reconhecido por reportagens investigativas e “por ir aonde ninguém vai”, como ele mesmo diz. Autor do livro Rota 66, que denuncia a brutalidade da polícia no Brasil, Caco exige dos repórteres iniciantes que participam do programa o conhecimento das desigualdades sociais do país: “não podem ser analfabetos sociais”, afirma.

Ex-taxista, Caco levou para o jornalismo uma visão diferenciada para a produção de matérias, por conhecer as ruas. Apesar de se declarar fã do jornalismo brasileiro, faz ressalvas. “Sou crítico em relação ao que a imprensa não faz. Acho que entrevista é pouco para uma denúncia, ela é relevante, mas não é feita só de verdades. Cabem dentro das entrevistas as mentiras”, disse.

Para Caco, o jornalista tem o dever de provar que cada palavra na entrevista é verdade. “Uma coisa é entrevista, outra é a credibilidade. Eu tenho a obrigação, assim como todo profissional que está aqui, de servir a população”, destacou.

Outro ponto abordado pelo jornalista foi a crescente publicação das fake news nas redes socias. “Eu adoro rede social, mas é uma pena que tenha tanta gente usando para o lado do mal. As fake news são um exemplo”, ressaltou.

Caco falou ainda sobre a desigualdade econômica no Brasil, um tema sempre abordado nas matérias no Profissão Repórter.

“Independente de você ser de esquerda ou de direita, tem que perceber as diferenças sociais no País. Se a escola pública é de má qualidade, o rico compra educação. Enquanto isso, o filho de quem não tem dinheiro vai estudar na escola pública. E essas crianças usam como transporte o de pau de arara. Essa é a realidade delas”, alertou.

Outra crítica do jornalista é quanto ao comportamento dos brasileiros que adoram marcar essas diferenças. “Como tem gente que adora área VIP! Eu tenho vergonha dessa diferença”.

Durante a sua palestra, Caco exibiu trechos de reportagens do Profissão Repórter e lembrou de momentos importantes, como quando sua equipe acompanhou a migração de Venezuelanos por dois meses para o Brasil.

O jornalista já passou por diversas dificuldades em suas coberturas, como quando sofreu agressões durante cobertura do ato de servidores estaduais no Rio de Janeiro. A violência diária, para Caco, é fruto das desigualdades sociais. “Eu acho que sou correspondente de guerra permanente, porque trabalho em um país onde morrem 600 mil pessoas por ano. A nossa sociedade precisa de uma transformação”, disse Caco, que deixou uma última mensagem aos empresários e profissionais presentes: “A minha expectativa é que profissionais liberais de qualquer área assumam a importância do seu trabalho, e que juntos trabalhem pela transformação do país. Não faz sentido a gente viver nessa desigualdade tão absurda. Qualquer empresa ou profissional tem o dever de deixar algo de bom também para o seu entorno”.

Serviço
45º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas
Data: 17 a 20 de junho de 2018
Local: Centro de Convenções SulAmérica, Rio de Janeiro
Programação completa: www.cbac.org.br