Congresso reúne especialistas nacionais e internacionais para debater inteligência artificial, segurança diagnóstica, saúde pública, medicina de precisão e os avanços da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial
Em um cenário marcado pelo envelhecimento populacional, pelo aumento das doenças crônicas, pela circulação de novos agentes infecciosos e pela crescente incorporação de tecnologias digitais à assistência, o diagnóstico laboratorial assume papel cada vez mais estratégico para a saúde da população. Responsável por subsidiar grande parte das decisões médicas, o setor estará no centro das discussões do 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas (CBAC), promovido pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), entre os dias 28 de junho e 1º de julho, no Riocentro, no Rio de Janeiro.
Reconhecido como um dos mais importantes encontros científicos da área na América Latina, o congresso reunirá especialistas brasileiros e internacionais para discutir os desafios e as transformações que impactam diretamente a qualidade do cuidado em saúde, desde a prevenção e o diagnóstico precoce até o monitoramento de tratamentos e a vigilância epidemiológica.
“Quando falamos sobre o futuro da saúde, inevitavelmente falamos sobre diagnóstico. Nenhuma estratégia de prevenção, acompanhamento clínico ou tratamento acontece sem informação de qualidade. Por essa razão, o papel do diagnóstico laboratorial vai muito além da realização de exames, contribuindo para decisões mais seguras, para a sustentabilidade dos sistemas de saúde e para um cuidado cada vez mais preciso e centrado no paciente. O CBAC reflete essa evolução ao reunir especialistas que estão discutindo os caminhos para fortalecer a medicina diagnóstica no Brasil e no mundo”, destaca a Dra. Maria Elizabeth Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC).
Entre os destaques da programação está a participação do médico patologista clínico italiano Mario Plebani, uma das maiores referências mundiais em medicina laboratorial, qualidade diagnóstica e segurança do paciente. Em sua palestra, “IA na Fase Pré-Analítica”, o especialista abordará o potencial da inteligência artificial para aumentar a confiabilidade dos exames laboratoriais, especialmente na etapa que concentra a maior parte das falhas relacionadas ao processo diagnóstico.
A aplicação da inteligência artificial nos laboratórios clínicos integra um movimento mais amplo de transformação da medicina diagnóstica. Ao longo do congresso, serão discutidos temas relacionados à automação, machine learning, farmacogenética, medicina de precisão e novas tecnologias capazes de apoiar decisões clínicas mais seguras, ágeis e personalizadas.
A programação também amplia o debate sobre questões de grande relevância para a saúde pública. Vigilância genômica, vírus respiratórios, resistência antimicrobiana, infecções sexualmente transmissíveis, doenças infecciosas emergentes e estratégias de monitoramento epidemiológico estão entre os temas que refletem a crescente necessidade de integração entre diagnóstico, prevenção e resposta sanitária.
As apresentações também permitem ampliar o conhecimento e o debate sobre outro importante tema, que é o papel do laboratório no acompanhamento das condições crônicas que acompanham o envelhecimento da população brasileira. Temas relacionados à saúde cardiovascular, doenças autoimunes, farmacogenética, interações medicamentosas e o impacto na qualidade analítica e de interpretação de exames reforçam a importância do diagnóstico laboratorial como ferramenta fundamental para o monitoramento clínico e a continuidade do cuidado.
Entre os temas estratégicos da programação estará a evolução das discussões em torno da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL), iniciativa que busca fortalecer a estrutura diagnóstica brasileira e ampliar o reconhecimento do diagnóstico como componente essencial das políticas públicas de saúde. Para a SBAC, o avanço desse debate representa uma oportunidade de ampliar o acesso da população a exames de qualidade, fortalecer a integração do diagnóstico à assistência e contribuir para uma saúde mais eficiente, resolutiva e sustentável.
Mais do que apresentar avanços científicos e tecnológicos, o 51º CBAC propõe uma reflexão sobre o papel do diagnóstico laboratorial na sustentabilidade dos sistemas de saúde e na qualidade da assistência prestada à população. Em um contexto cada vez mais orientado por dados, prevenção e medicina personalizada, fortalecer a capacidade diagnóstica do país significa ampliar a segurança dos pacientes, otimizar recursos e apoiar decisões clínicas mais assertivas ao longo de toda a jornada de cuidado.