A luta contra o câncer pode ter resposta no próprio sistema imune humano

Uma nova forma de imunoterapia contra o câncer, sem os efeitos colaterais adversos das terapias convencionais, pode revolucionar o tratamento da doença. Um time de cientistas norte-americanos percebeu que um grupo de pacientes com câncer de pulmão pareciam nunca piorar da doença e passaram a investigar o organismo destes indivíduos.

Para sua surpresa descobriram que a razão dessa resistência natural ao câncer provinha de uma classe de anticorpos especialmente eficientes contra a proteína fator H, cuja função é justamente proteger as células cancerígenas dos ataques do sistema imunológico.

Depois de identificado, o anticorpo foi clonado em laboratório e testado em experimentos in vitro e em animais, mostrando-se um eficiente meio natural de combate aos tumores. A pesquisa foi publicada na edição de 6 de maio da Revista Cell Reports.

Anticorpo desarma blindagem da célula cancerígena

Segundo o estudo, o anticorpo é capaz de desarmar o mecanismo criado pelo fator H que blinda as estruturas celulares cancerígenas impedindo o depósito de um complemento que destruiria a membrana celular. Assim que descobriram este anticorpo, que é produzido espontaneamente pelo sistema imune de alguns indivíduos, os pesquisadores procuraram uma forma de utilizá-lo como uma arma terapêutica contra o câncer.

Para isso, no entanto, teriam que selecionar apenas os agentes capazes de reconhecer a mesma parte do fator H usada como porta de entrada pelos anticorpos com uma afinidade especial pelos tumores, ou seja, que não destruíssem também as estruturas saudáveis.

Testes tiveram resultados positivos

Os genes dos leucócitos responsáveis pela produção desses anticorpos nestes pacientes foram então isolados e clonados para a criação de um sistema de defesa em laboratório que foi testado contra câncer de pulmão, mama e estômago, entre outros. Posteriormente testados em ratos, o sistema destruiu as células cancerígenas, preservando as células saudáveis e sem causar efeitos colaterais.

Segundo os cientistas, este “superanticorpo”, como já está sendo chamado, poderá ser usado para modular a resposta imune do paciente de forma a conter o crescimento dos tumores. Como este é o primeiro anticorpo totalmente natural, derivado de humanos e utilizado na terapia contra o câncer, completamente diferente de outras abordagens de imunoterapias, os pesquisadores acreditam que irá revolucionar a forma de tratamento do câncer em geral.