04/12/2007 Por que o frio traz gripe? Novas descobertas. Leio em reportagem da lendária Gina Kolata no jornal The New York Times que o grupo de Peter Palese, na Escola de Medicina Monte Sinai de Nova York, parece ter resolvido um antigo mistério: por que as gripes surgem e se espalham no inverno? O artigo de Palese a respeito saiu em outubro no periódico PLoS Pathogens. A associação óbvia de gripe com frio era conhecida há muito tempo, mas não explicada cabalmente. Só havia teorias frouxas e questionadas por muitos, como o aumento da transmissão provicado pela tendência das pessoas a permanecerem em ambientes fechados no inverno (essa condição também existe em outras épocas do ano em que a gripe praticamente desaparece). Como relata Kolata, não havia bons modelos animais para estudar condições ideais para transmissão do vírus da influenza (que a reportagem tem a atenção de explicar que provém da expressão "influenza di freddo", ou influência do frio). Camundongos podem ser infectados, mas não o transmitem. Furões se infectam e transmitem, mas são animais caros e bravos - têm o mau costume de morder pesquisadores. O caso foi resolvido com leitura. Explico, seguindo dona Kolata: Palese, ao revisar a literatura sobre gripe, deu com um artigo publicado em 1919 sobre epidemia de influenza em Camp Cody, Novo México. O texto continha uma observação curiosa: na época da epidemia, porquinhos-da-índia começaram a morrer no laboratório. A equipe de Palese infectou cobaias e verificou que elas serviam bem como modelo da doença em seres humanos, Os experimentos podiam começar. Variando a temperatura e a umidade relativa do ar, Palese descobriu que o vírus se espalhava mais rápida e longamente a 5°C e umidade relativa baixa, de 20%. Segundo o estudo, porque o vírus da influenza se espalha pelo ar, dentro de gotículas expelidas pela boca (os famigerados perdigotos - não confundir com filhotes de perdiz); quando o ar está mais quente e úmido, os perdigotos agregam moléculas de água, crescem e acabam caindo ao chão sob o próprio peso, como gotas de chuva. No inverno, flutuam mais tempo no ar, aumentando a chance de alcançar algum passante. Em outras palavras: não é no ônibus, no metrô, na classe ou no cinema que você pega gripe, em dias frios, mas no caminho para esses lugares. Fonte: Ciência em dia |