22/08/2007

Calamidade

O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), decretou situação de calamidade pública na rede hospitalar na sexta-feira, o que permite a contratação emergencial de profissionais.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas, Emmanuel Fortes, disse que o governo ofereceu até R$ 8.000 para que neurocirurgiões assumissem as vagas, mas a proposta não foi aceita.

"É uma incongruência oferecer até R$ 8.000 para substituir um profissional que ganha menos. Os médicos não aceitaram", disse Fortes.

Os demissionários contrariaram decisão judicial da semana passada que suspendeu a exoneração dos médicos até que novos profissionais fossem contratados.

Crise provoca caos no atendimento do principal hospital de urgência do Estado.
A greve no setor de saúde e a demissão em massa de médicos do serviço público de Alagoas tornou caótico o atendimento no mais importante hospital de urgência do Estado, a Unidade de Emergência Armando Lages, em Maceió.

Pacientes aguardam socorro deitados em macas nos corredores. Médicos que trabalham na urgência também fazem atendimento ambulatorial. Acompanhantes esperam notícias dos parentes e amigos sentados na mureta da rampa de acesso das ambulâncias.

Veículos chegam a todo momento trazendo pacientes do interior do Estado. Dois funcionários deveriam fichar os doentes, mas, em muitos momentos, só um deles trabalha.

Doentes menos graves aguardam horas por socorro. Muitos são obrigados a retornar várias vezes ao hospital porque não conseguem internação. Enquanto isso, grevistas conversam na calçada sobre os rumos da paralisação. Alguns utilizam, por baixo do jaleco, camiseta com a inscrição "reposição salarial já".

"Ninguém é contra a reivindicação, mas as pessoas não podem sofrer por causa disso", diz o trabalhador braçal Adeilton Vicente da Rocha, 52. Ele esteve três vezes na unidade nos últimos cinco dias para socorrer a mãe, de 81 anos, que tem dores no abdome.

"No sábado, chegamos às 2 horas da manhã e só dois médicos estavam atendendo", disse Rocha. "Deram uma injeção nela e mandaram a gente embora. No outro dia ela passou mal, voltamos, deram mais uma injeção e mandaram embora de novo."

Sentada em uma cadeira de rodas, a aposentada Rosanah Ferreira da Silva, 73, conta que esperou quase três horas para ser atendida ontem porque, segundo ela, "não tinha ninguém para fazer um curativo".

A aposentada, que tem dificuldade para andar devido a um derrame, foi ao hospital porque sofreu um corte na cabeça ao cair de uma escada. Após ser medicada, às 15h, esperou mais uma hora e meia por uma ambulância para ir para casa.

A unidade de emergência informou que 50 médicos do hospital se demitiram e que trabalhou ontem com seis profissionais cedidos pelo Corpo de Bombeiros.

Fonte: AE

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