16/07/2010 Mosquito geneticamente modificado pode ajudar na luta contra a malária Cientistas anunciaram nesta sexta-feira que conseguiram criar uma nova arma contra a malária: um mosquito que é imune ao parasita que causa doença. O inseto geneticamente modificado foi criado pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e é incapaz de transmitir a malária aos humanos. A doença atinge cerca de 250 milhões de pessoas anualmente e causa aproximadamente de um milhão de óbitos, a maioria crianças com menos de 5 anos. O entomologista Michael Riehle, que coordenou o estudo, afirmou que está surpreso com o resultado positivo da experiência. - Esperávamos apenas que a experiência mudasse o ritmo de crescimento do mosquito ou sua suscetibilidade ao parasita. Foi incrível ver que nossa construção bloqueia o processo de inflamação por completo - afirmou. A descoberta pode ser uma nova forma de combater a doença, acredita Riehle. Atualmente, os mosquitos transmissores da malária são controlados com inseticidas, redes ou drogas antimalária. Nem todos os mosquitos transmitem a malária, apenas as fêmeas da família Anopheles, das quais existem cerca de 25 espécies. Elas se alimentam de sangue e cada vez que picam um humano infectado ingerem o parasita, que depois migra para suas glândulas salivares. De lá, eles são passados para a vítima da próxima mordida. Na tentativa de quebrar este ciclo, os cientistas inseriram um gene que melhora a ação de uma enzima chamada Akt, que controla a taxa de crescimento e as funções imunes do mosquito. O objetivo era reforçar o Akt como forma de ajudar o sistema imunológico do inseto no combate ao parasita, assim como diminuir seu tempo de vida, já que ele só se torna capaz de transmitir a doença perto do fim da vida. - Na natureza, os mosquitos vivem em média duas semanas e apenas os mais velhos podem transmitir o parasita. Se reduzirmos seu ciclo de vida, podemos reduzir o número de infecções - diz Riehle. Mas estudos mostraram que mosquitos modificados que carregavam duas cópias do gene alterado tinham perdido a habilidade de transmitir malária como um todo. Mas, para serem eficazes na luta pelo controle da malária, os mosquitos modificados precisam ganhar alguma vantagem sobre as populações naturais de forma a competir com elas e, eventualmente, sobrepujá-las num processo de seleção natural. Atualmente, eles existem apenas em laboratórios de segurança máxima, sem chances de escapar. Segundo Riehle, dar aos mosquitos essa vantagem é a tarefa mais difícil da pesquisa. Segundo Chris Drakeley, diretor do Centro de Malária na London School for Hygiene and Tropical Medicine, avanços científicos deste tipo são muito bem-vindos, mas ainda não podem ser considerados uma realidade. - Sabemos que as experiências em laboratório ainda estão longe de ajudar a controlar a doença no dia a dia - afirmou. Brasileiros também já criaram mosquito resistente Fonte: O Globo |