04/03/10 Diretrizes clínicas e o SUS: algo em comum? Segundo Fausto dos Santos, diretor-presidente da ANS, todos defendem as diretrizes e o SUS, mas divergem quando os temas são traduzidos "Todo o sistema de saúde tem que se organizar e dentro da lógica da organização e do cuidado entram as Diretrizes Clínicas. É preciso ter a melhor prática acoplada a isso", explica a gerente geral da ANS, Martha Regina de Oliveira, ao comentar o principal objetivo da agência com o convênio firmado em conjunto com a Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) para a implementação das Diretrizes Clínicas nas instituições de saúde. Melhorar a prática e o atendimento como um todo por meio de parcerias fazem parte da estratégia do projeto lançado nesta quarta-feira (3) na capital paulista. "Precisávamos mudar um pouco a lógica da produção médica e da produção de saúde no Brasil, era uma lógica muito voltada para o procedimento. Nós temos uma tabela de procedimentos que guia a realização desses procedimentos e é preciso inserir a boa prática numa tabela que tem um procedimento solto e para isso conseguimos inserir a lógica de se trazer as diretrizes clínicas para a discussão e para a inserção desse procedimento dentro de uma lógica de medicina baseada em evidências", afirma Martha. Para dar certo, a ANS ressalta que é preciso que o processo seja único tanto para as operadoras quanto para os prestadores e até mesmo para entidades de saúde. "Todos precisam falar a mesma língua." O projeto deve funcionar como piloto nos hospitais Albert Einstein (SP), Moinhos de Vento (RS), Pró-cardíaco e HCN (RJ), além da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), com o Sindhrio, Fleury, Pronep e Semeando Saúde. Sem um critério definido para a escolha das instituições, o projeto deve ser implementado e trabalhado ao longo de um ano. Somente após este período é que as experiências alcançadas serão replicadas em todo o sistema de saúde. "As instituições procuraram a gente por afinidade ou porque vieram falar das próprias diretrizes e a coisa foi ganhando corpo", conta. A ideia inicial é que cada uma dessas unidades use as diretrizes clínicas para a sua própria experiência. A implementação deverá ser acompanhada pela ANS, que a cada três meses se reunirá com esses parceiros em busca de resultados. Segundo o diretor-presidente da agência, Fausto Pereira dos Santos, embora haja um grande consenso no setor da importância da utilização das diretrizes, esse consenso não torna o tema menos controverso. Comparando-as com o SUS, o executivo diz que o setor defende o assunto, mas as divergências sempre surgem quando as diretrizes são traduzidas. "É por isso que às vezes um processo que eventualmente poderia ser muito consensual tem muita dificuldade para ser definitivamente elaborado", destaca Santos. "Esse processo deve ser custoso e demorado, mas acreditamos que nesse processo possamos ter um êxito muito maior e transformar esse consenso de percepção num consenso de realização e de boas práticas." Fonte: Saude Business |