GESTÃO DE LABORATÓRIOS

 
25/05/2006

DEFININDO ESTRATÉGIAS DE COMPETITIVIDADE
Edson Gil*

Os movimentos dos mercados de alta tecnologia e que dependem de regulamentação externa sempre foram alvo de especulações, pressões de várias direções e de mudanças velozes e precisas que alteram toda uma estrutura montada ao longo dos anos.

O atual mercado de análises clínicas e medicina diagnóstica é um destes mercados que mudam a uma velocidade tão alta que duas sensações ocorrem: ou as mudanças são percebidas de forma brusca ou nem se dá atenção a elas. Na maioria dos casos esta última opção ocorre com muito mais freqüência do que parece. Mas este não é o problema em si. Já que atualmente o grave problema está na condução da mudança.

Desde que comecei a escrever para a Laes e Haes tenho recebido por e-mail e telefone, uma série de dúvidas de laboratórios dos quatro cantos do Brasil com um questionamento muito sério: como me adaptar a um novo mercado que nem conheço?

Muitos questionam que já fizeram consultoria com outras empresas e que não obtiveram nenhum resultado. Outros tentaram se adaptar a todas as mudanças ao mesmo tempo. Ou na velocidade que estas ocorreram. Mas o principal problema está diretamente relacionado com a forma que você conduz a sua mudança.

Sem isso, não adianta contratar gerentes. Não adianta contratar consultores. Se a mudança que você espera que ocorra seja efetivada de fora para dentro. Muitos têm vontade, mas não tem sequer experiência para enfrentar uma situação de mudança como a que o atual mercado está passando.

Se voltarmos no tempo, teremos uma lacuna deixada pela profissionalização da administração do laboratório, que não houve na época certa, e que se tenta corrigir a duríssimas penas em um tempo irreal.

Situação parecida já ocorreu em outros mercados e que tive a oportunidade de acompanhar. Empresas foram compradas ou fechadas. Blocos se formaram. Estratégias foram tentadas. Mas apenas aqueles que tiveram determinação e obstinação conseguiram alcançar seus resultados com êxito. E é exatamente neste ponto que está a diferença.

Muitos querem focar suas estratégias no trinômio: qualidade-produtividade-lucratividade, mas esquecem que não se faz nada em estratégia usando mágica. É preciso avaliar corretamente o mercado e seus dogmas. Estabelecendo as fronteiras de crescimento e a partir desta definição restabelecer metas e parâmetros para suas conquistas.

Não adianta pensar apenas em um ponto. O atual volume de mudanças faz com que mercados inteiros se movimentem como um mar revolto onde teremos sempre de olhar o tempo para definir para que lado apontará nosso barco.
Por isso mesmo, sempre afirmo que todo mundo busca o sucesso, mas se esquece de que sua fórmula contém dois componentes absolutamente importantes: trabalho e inteligência.

No mundo moderno, onde atualizações do conhecimento ocorrem quase que a cada instante de forma volátil, a fórmula do sucesso contém variáveis importantes para que possa ser efetivamente aplicada. E se os fatores preponderantes para o sucesso são a competitividade, a produtividade e a qualidade. Todos os três fatores devem atuar sinergisticamente e de forma decisiva para se buscar a excelência gerencial como uma preocupação dos mercados, em especial o dos laboratórios.

A competitividade pode ser definida como a soma de eficiências internas e eficácias externas. Para atingir os pontos necessários de competitividade nos dias atuais é imprescindível um conjunto formado por colaboradores capacitados, projetos estratégicos, gestão competente e infra-estruturas interna e externa focados no resultado. É a sinergia desses fatores é o que fará atingir a competitividade tão importante para o sucesso.

A qualidade observou diferentes abordagens ao longo do tempo e com o acirramento da competição, como conseqüência da economia globalizada, passou a ser uma questão de sobrevivência no mundo empresarial.

Nos últimos anos diversos estudos demonstraram que a maior parte dos problemas de qualidade tinham origem em falhas gerenciais e humanas e não apenas na área técnica. Essa constatação deu origem aos chamados sistemas de gestão da qualidade, que associam ações de controle que dão ênfase na detecção de defeitos, com ações de administração da qualidade, que têm ênfase na prevenção destes defeitos.

O próprio mercado globalizado vem demandando novas abordagens sobre a qualidade, mudando o foco estritamente técnico e gerencial e passando para uma abordagem mais cultural e filosófica sobre a forma de fazer negócios. Basicamente a ênfase deixa de ser sobre a utilização de um sistema de gestão da qualidade para a utilização de um sistema de gestão pela qualidade, em uma mudança de abordagem que tem se mostrado fundamental para alavancar a competitividade e decisiva para a sobrevivência das empresas, no ambiente atual.

Neste ambiente, ter conhecimento de gestão é uma peça-chave e todo o conceito de tecnologia da qualidade deve passar pelo de tecnologia de informação e de processos, bem como de seu gerenciamento. Ou seja, é primordial buscar em todos os processos, o máximo de excelência em gestão para qualquer nível de atividade competitiva.

A adoção de adequadas práticas de gestão da qualidade, normalização, metrologia e avaliação da conformidade, representam um diferencial na economia globalizada, principalmente por afetarem diretamente a produtividade. Por isso mesmo é preciso ter consciência de que a competitividade só será obtida quando forem desenvolvidos sistemas de gestão que garantam qualidade e aprimoramento de todos os processos e do trabalho das pessoas.

Se a qualidade pode ser o meio mais poderoso para o aperfeiçoamento da produtividade, suas ferramentas deverão ser postas em prática para melhorar o processo e não apenas enfatizar o controle estatístico. O uso das diversas ferramentas de gestão da qualidade pode ser a grande chave para otimizar vários projetos focando-os principalmente nos resultados esperados.

Lembre-se: Profissionalizar a gestão não é tarefa fácil, nem simples. Requer a implantação de uma cultura que agregue todas as condições importantes e necessárias para a evolução. Mas é necessário começar agora. Deixar para amanhã, poderá apenas fazê-los navegar em um mar ainda mais turbulento que o dos dias atuais.

Pense nisso! E qualquer coisa que precisar, conte comigo.


Edson Gil é consultor de empresas nas áreas de Estratégia Empresarial e Gerência Competitiva e Diretor Técnico do Núcleo de Pesquisa em Estratégia do IBPF. É assessor de estratégia da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, do Programa Nacional de Controle de Qualidade. Também é autor dos livros "Competitividade em Vendas", "Liderança e Competitividade" e "A Nova Gerência". contato@edsongil.com.br www.edsongil.com.br 21 9605-5098 e 21 9608-1464

 

  Voltar ao topo Voltar