GESTÃO DE LABORATÓRIOS

 
25/05/2006

Exames de Laboratório: ATENDER OU FAZER. Qual custa mais?
Humberto Marques Tibúrcio*

O COPREN – Comitê de Padronização, Regulamentação e Negociação, entre outras atividades estudou e estuda de maneira sistematizada o tema em pauta: atender pacientes ou fazer exames, qual custa mais para os Laboratórios e que riscos isto representa para eles.

É preocupante no âmbito do COPREN o crescente custo unitário inter-laboratorial do atendimento dos pacientes além de R$4,60, o menor valor apurado até então.

O desequilíbrio econômico que se visualiza para o Laboratório decorrente do atendimento do paciente com mono-exame é outro fato que preocupa o COPREN.

Passado

No passado remoto, mas não tanto, o custo laboratorial em geral sequer era objeto de conversas entre os Laboratórios, menos ainda de estudos sistemáticos por parte deles.

O COPREN foi criado em setembro de 2.003, decorrente das diferentes necessidades que se acumulavam e sobre os Laboratórios e algumas delas ainda se acumulam, pois ainda não foram selecionadas ou são novas ou inéditas.

Nestes idos os Laboratórios não se preocupavam com nenhum dos custos dois elementos em questão: custo de atender o paciente e o custo de fazer os seus exames.

Alguns Laboratórios ainda pensavam que o custo laboratorial se resumia em dividir o valor do produto comprado pelo número de “exames” que o produto se propunha a fazer no Laboratório.

Desta maneira, se o produto para o exame “Achócito” custava R$100,00, na moeda de então, e era possíveis fazer 200 “exames” com o produto no Laboratório, o custo laboratorial era tido como o resultante da divisão de R$100,00 ¸ 200 = R$0,50.

Com o passar do tempo, anos, alguns Laboratórios descobriram, o que seria inevitável, que os tais 200 “exames” em realidade não eram 200 e sim menos, pois, o produto comprado por ele era também consumido na realização dos brancos, das calibrações e dos controles.

Supondo que seria gasto ou consumido do produto o equivalente a 10 “exames”, com os brancos, calibrações e controles, o custo laboratorial era tido como o resultante de R$100,00 ¸ (200 – 10) = R$100,00 ¸ 190 = R$0,53.

O custo do atendimento do paciente permanecia latente, mas crescente. Ocorre que naqueles tempos, ele não incomodava aos Laboratórios e, portanto, não era objeto de questionamento e menos ainda, de apuração, portanto, um ilustre desconhecido, mas presente.

Os anos foram passando e os fatores que contribuem para a apuração dos custos laboratoriais foram também sendo ampliados e tornando de significativa valia para os Laboratórios.

Presente

O atendimento dos pacientes que aqui é considerado se refere ao paciente que foi atendido pelo Laboratório e que exame para ele foi realizado.

Nos dias atuais a apuração dos custos laboratoriais é um dos pontos centrais nas conversas e nas necessidades dos Laboratórios.

As conversas entre os Laboratórios sobre os custos laboratoriais, quer sejam elas referenciadas aos próprios ou de outros Laboratórios, são em geral provocadas pelas necessidades dos próprios.

Numa visão simplista, mas nem por isto menos eficiente, os custos laboratoriais podem ser comparados com uma pizza, para a qual são necessários múltiplos ingredientes, possuem múltiplos sabores, coisas em comum existem entre os diferentes tipos e são necessárias para fazê-las e as fatias são cortadas em diferentes tamanhos.

O custo do atendimento dos pacientes é hoje reconhecida e significativamente de maior valor monetário do que o custo da realização dos exames.

Os valores atuais dos custos do atendimento dos pacientes apresentam pelo menos duas características relevantes: é variável inter-laboratórios e é crescente inter-laboratórios.

A variação do custo unitário do atendimento do paciente é uma função que depende de vários fatores, sendo que alguns deles são fixos e outros fatores são variáveis.

Os fatores, mesmo os fixos, que compõem o custo do atendimento se apresentam monetariamente de maneira diversa para os diferentes Laboratórios.

Por exemplo, o rateio da área física destinada ao atendimento dos pacientes e que é parte do custo do atendimento, varia inter-cidades, em decorrência da natural variação do fator imobiliário da cidade.

Duas coisas são líquidas e certas neste contexto: nenhum Laboratório está ou estará isento dos custos do atendimento e o menor custo unitário do atendimento apurado pelo COPREN até o presente não é menor do que R$4,60.

Um-para-um

Quando existe uma relação de um-para-um entre o paciente e o exame, isto é, quando um paciente é atendido por um Laboratório para realizar apenas um exame, o custo do atendimento é ainda mais expressivo e mais representativo de risco de prejuízo.

A relação de um-para-um ocorre com muitos exames de Laboratório de uso corrente, como, por exemplo, na determinação da Glicose, do Tempo de protrombina do Colesterol.

Caso o valor de venda do exame seja inferior ao custo unitário mínimo apurado pelo COPREN, ou seja, de R$4,60, o prejuízo para o Laboratório já ocorreu e poderá ainda ser maior.

O aumento do prejuízo neste caso é previsível, pois, são conhecidas as condições que este atendimento poderá gerar um segundo atendimento ou que poderá o Laboratório por ele não receber.

Caso o número de pacientes atendidos pelo Laboratório nesta relação de um-para-um seja expressivo ou esteja em ascensão, cuidados adicionais precisam ser tomados para evitar a ocorrência prematura do desequilíbrio econômico.

Futuro

No futuro próximo um dos fatores que os Laboratórios deverão considerar é a negociação do pagamento pelo atendimento do paciente, isto é, uma quantia fixa ou variável, para cada paciente atendido com ou sem a realização do exame ou dos exames.

É razoável prever que os Laboratórios não suportaram arcar com o desequilíbrio econômico decorrente da diferença entre o preço de venda do exame e a soma do custo do atendimento e da realização do exame.

A ocorrência de desequilíbrio econômico é um fator previsto na legislação brasileira em benefício do Laboratório e isto não pode ser esquecido e menos ainda relegado.

O monitoramento permanente e sistemático do custo do atendimento é necessário para evidenciar a proximidade da ocorrência do desequilíbrio econômico e de alerta para início do encontro de uma proposta para evitar a progressão e de alerta para o início da negociação de uma solução.

* Humberto Marques Tibúrcio é ex-presidente da SBAC
(31) 3274 4663 – (31) 3274 4977
cmhi@cmhi.bio.br

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