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Exames
de Laboratório: ATENDER OU FAZER. Qual custa mais?
Humberto Marques Tibúrcio*
O
COPREN – Comitê de Padronização, Regulamentação
e Negociação, entre outras atividades estudou e estuda
de maneira sistematizada o tema em pauta: atender pacientes ou fazer
exames, qual custa mais para os Laboratórios e que riscos
isto representa para eles.
É
preocupante no âmbito do COPREN o crescente custo unitário
inter-laboratorial do atendimento dos pacientes além de R$4,60,
o menor valor apurado até então.
O
desequilíbrio econômico que se visualiza para o Laboratório
decorrente do atendimento do paciente com mono-exame é outro
fato que preocupa o COPREN.
Passado
No
passado remoto, mas não tanto, o custo laboratorial em geral
sequer era objeto de conversas entre os Laboratórios, menos
ainda de estudos sistemáticos por parte deles.
O
COPREN foi criado em setembro de 2.003, decorrente das diferentes
necessidades que se acumulavam e sobre os Laboratórios e
algumas delas ainda se acumulam, pois ainda não foram selecionadas
ou são novas ou inéditas.
Nestes
idos os Laboratórios não se preocupavam com nenhum
dos custos dois elementos em questão: custo de atender o
paciente e o custo de fazer os seus exames.
Alguns
Laboratórios ainda pensavam que o custo laboratorial se resumia
em dividir o valor do produto comprado pelo número de “exames”
que o produto se propunha a fazer no Laboratório.
Desta
maneira, se o produto para o exame “Achócito”
custava R$100,00, na moeda de então, e era possíveis
fazer 200 “exames” com o produto no Laboratório,
o custo laboratorial era tido como o resultante da divisão
de R$100,00 ¸ 200 = R$0,50.
Com
o passar do tempo, anos, alguns Laboratórios descobriram,
o que seria inevitável, que os tais 200 “exames”
em realidade não eram 200 e sim menos, pois, o produto comprado
por ele era também consumido na realização
dos brancos, das calibrações e dos controles.
Supondo
que seria gasto ou consumido do produto o equivalente a 10 “exames”,
com os brancos, calibrações e controles, o custo laboratorial
era tido como o resultante de R$100,00 ¸ (200 – 10)
= R$100,00 ¸ 190 = R$0,53.
O
custo do atendimento do paciente permanecia latente, mas crescente.
Ocorre que naqueles tempos, ele não incomodava aos Laboratórios
e, portanto, não era objeto de questionamento e menos ainda,
de apuração, portanto, um ilustre desconhecido, mas
presente.
Os
anos foram passando e os fatores que contribuem para a apuração
dos custos laboratoriais foram também sendo ampliados e tornando
de significativa valia para os Laboratórios.
Presente
O
atendimento dos pacientes que aqui é considerado se refere
ao paciente que foi atendido pelo Laboratório e que exame
para ele foi realizado.
Nos
dias atuais a apuração dos custos laboratoriais é
um dos pontos centrais nas conversas e nas necessidades dos Laboratórios.
As
conversas entre os Laboratórios sobre os custos laboratoriais,
quer sejam elas referenciadas aos próprios ou de outros Laboratórios,
são em geral provocadas pelas necessidades dos próprios.
Numa
visão simplista, mas nem por isto menos eficiente, os custos
laboratoriais podem ser comparados com uma pizza, para a qual são
necessários múltiplos ingredientes, possuem múltiplos
sabores, coisas em comum existem entre os diferentes tipos e são
necessárias para fazê-las e as fatias são cortadas
em diferentes tamanhos.
O
custo do atendimento dos pacientes é hoje reconhecida e significativamente
de maior valor monetário do que o custo da realização
dos exames.
Os
valores atuais dos custos do atendimento dos pacientes apresentam
pelo menos duas características relevantes: é variável
inter-laboratórios e é crescente inter-laboratórios.
A
variação do custo unitário do atendimento do
paciente é uma função que depende de vários
fatores, sendo que alguns deles são fixos e outros fatores
são variáveis.
Os
fatores, mesmo os fixos, que compõem o custo do atendimento
se apresentam monetariamente de maneira diversa para os diferentes
Laboratórios.
Por
exemplo, o rateio da área física destinada ao atendimento
dos pacientes e que é parte do custo do atendimento, varia
inter-cidades, em decorrência da natural variação
do fator imobiliário da cidade.
Duas
coisas são líquidas e certas neste contexto: nenhum
Laboratório está ou estará isento dos custos
do atendimento e o menor custo unitário do atendimento apurado
pelo COPREN até o presente não é menor do que
R$4,60.
Um-para-um
Quando
existe uma relação de um-para-um entre o paciente
e o exame, isto é, quando um paciente é atendido por
um Laboratório para realizar apenas um exame, o custo do
atendimento é ainda mais expressivo e mais representativo
de risco de prejuízo.
A
relação de um-para-um ocorre com muitos exames de
Laboratório de uso corrente, como, por exemplo, na determinação
da Glicose, do Tempo de protrombina do Colesterol.
Caso
o valor de venda do exame seja inferior ao custo unitário
mínimo apurado pelo COPREN, ou seja, de R$4,60, o prejuízo
para o Laboratório já ocorreu e poderá ainda
ser maior.
O
aumento do prejuízo neste caso é previsível,
pois, são conhecidas as condições que este
atendimento poderá gerar um segundo atendimento ou que poderá
o Laboratório por ele não receber.
Caso
o número de pacientes atendidos pelo Laboratório nesta
relação de um-para-um seja expressivo ou esteja em
ascensão, cuidados adicionais precisam ser tomados para evitar
a ocorrência prematura do desequilíbrio econômico.
Futuro
No
futuro próximo um dos fatores que os Laboratórios
deverão considerar é a negociação do
pagamento pelo atendimento do paciente, isto é, uma quantia
fixa ou variável, para cada paciente atendido com ou sem
a realização do exame ou dos exames.
É
razoável prever que os Laboratórios não suportaram
arcar com o desequilíbrio econômico decorrente da diferença
entre o preço de venda do exame e a soma do custo do atendimento
e da realização do exame.
A
ocorrência de desequilíbrio econômico é
um fator previsto na legislação brasileira em benefício
do Laboratório e isto não pode ser esquecido e menos
ainda relegado.
O
monitoramento permanente e sistemático do custo do atendimento
é necessário para evidenciar a proximidade da ocorrência
do desequilíbrio econômico e de alerta para início
do encontro de uma proposta para evitar a progressão e de
alerta para o início da negociação de uma solução.
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Humberto Marques Tibúrcio é ex-presidente da SBAC
(31) 3274 4663 – (31) 3274 4977
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