GESTÃO DE LABORATÓRIOS

 
16/05/2006

MAIS UMA DECEPÇÃO
Dr. Irineu Grinberg


Durante todo o ano passado o grupo de estudos em Patologia Clínica do Ministério da Saúde esteve reunido com a finalidade de realizar estudos de modificações da lista de procedimentos laboratoriais do Sistema Único de Saúde – SUS.
Estas modificações incluíam a retirada de exames em desuso, a unificação das tabelas SIA e SIH (ambulatorial e hospitalar), com mudanças fundamentais na estrutura da tabela.
Ficou também estabelecido a retirada da tabela dos procedimentos referentes a dosagens hormonais pela medicina nuclear, grupo 11.990.00-7, assunto discutido, inclusive, com a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, que não opôs nenhum obstáculo a esta iniciativa.
Ficou estabelecido nas diversas reuniões do grupo que os procedimentos hormonais passariam a integrar somente o grupo 11.050.00-4 em Patologia Clínica, com reajustes significativos em seus valores, sem dúvida os mais defasados da tabela SUS ambulatório.

As tabelas foram publicadas nos estertores da presença do Dr. Humberto Costa como Ministro da Saúde, sem nada do que foi tratado na série de reuniões, a exceção de um pífio reajuste de 10 % nos hormônios, quando o discutido e acertado era bem superior.
Entretanto, ao assumir suas funções como novo Ministro da Saúde o Deputado Federal Saraiva Felipe-PMDB MG cancelou todos os reajustes chancelados pelo seu antecessor e determinou a criação de um grupo de trabalho para realizar a análise da repercussão econômico financeira dos aumentos . . . . concedidos.

Dois meses após este grupo de trabalho referendou apenas alguns procedimentos hospitalares de UTI, Radioterapia e Obstetrícia.

MAIS UMA VEZ OS LABORATÓRIOS FICARAM DE FORA

Entretanto é importante ressaltar que a SBAC se fez representar em todas as reuniões do grupo de trabalho, foi atuante na defesa dos interesses de seus associados , mas impotente para demover má vontade e desinteresse explícitos das autoridades federais, de todos os escalões, em valorizar uma categoria mais do que fundamental nas ações diagnósticas e de prevenção em Saúde.
É importante realçar que, no pensamento destas autoridades a atividade laboratório clínico é altamente lucrativa, não obstante os custos de implantação e manutenção de sistemas da qualidade, assunto que sequer foi lembrado no decorrer de todas as reuniões de trabalho.
Tampouco o odioso sistema tributário foi levado em conta, pois os laboratórios públicos não pagam impostota bom s, as folhas de pagamento salariais são executadas por outras secretarias e o recolhimento de leis sociais são assuntos para os versados em economia, não eles.

A SBAC não esmorecerá e continuará se fazendo presente em todas estas ações, fazendo valer o ponto de vista da importância das Análises Clínicas no contexto da Saúde. Este compromisso é inalienável, pois se entende que as realizações da Sociedade passam necessariamente pelo engrandecimento de seus associados.

Dr. Irineu Grinberg é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas e representante institucional da SBAC junto ao Ministério da Saúde e outras instituições governamentais.

 

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